RATO DO SUBSOLO OU O ÓDIO IMPOTENTE
terça-feira, 13 de setembro de 2011
10 ANOS DO GRUPO RESIDÊNCIA
Pois bem, é isso: há dez anos eu chamava o Hazen, um trompetista, pra tocar piano numa montagem que eu queria fazer pro MoMu, festival de monólogos e música original da UFOP. Eu tinha um personagem que havia contruído fazendo intervenções cênicas num shopping center, em Salvador - isso depois de viver um mineirinho sem graça, com o qual ganhava pão de queijo de graça e o indefectível super-agulha, o super-herói mais imbecil da face da terra e demais planetas. Estreamos com uma versão de 10 minutos e depois aumentamos a montagem em meia hora. Convidei o Foca, Leonááárdo pros íntimos, pra produzir a gente e inscrevi Os Cadernos no Festival de Curitiba. No ato da inscrição on line, tinha uma lacuna onde estava escrito 'contato' e outra 'endereço'. Aquilo me confundiu. Eu preenchi no contato 'Residência' e embaixo o endereço de minha residência. O festival de curitiba respondeu: "Residência: recebemos sua inscrição..." Pois bem, estava batizado o grupo que queria nascer Núcleo de Pesquisas em Artes Cênicas da UFOP, mas graças a deus não deu. 10 anos depois o Foca vai a uma festa de aniversário da avó da Marisa, sua esposa, e encontra a Nadja, que tinha ido para o aniversário da avó de seu namorado, o Henrique. Ele fala: Eu fui do Residência. Ela: e eu sou!!! O ciclo se fecha, mas tudo também recomeça. Uma espécie de mesmo ponto só que mais à frente. Os desafios são os mesmos, um pouco mais a frente porque agora tenho mais barriga! Mas o tempo é forte, embora pareça sutil. De cá tenho a consciência de causa: foi aí que dei meu sangue, injetei bílis no peito, fui poeta (brinquei de rilke, pessoa, fui russo, boneco, doente, compus, me indispus, viajei). São 10 anos de muita entrega, mas também de muitas conquistas, na mesma proporção, aliás. Aí me falam: você devia ter saído de ouro preto. Talvez devia mesmo, mas talvez fizesse as mesmas coisas em outro lugar, porque o que faz a gente é a necessidade (como a ocasião o ladrão). Projetei na pedra, fui palhacinho de festa, apanhei de crianças num trem. Fui humilhado por um adolescente com aparelho - que graça que tem isso? - reinventei-me: eu fui o outro. Eis a delícia do teatro (e a dor): estar condenado a uma tangente de si constante. Não ganhei dinheiro, tenho dívidas com o banco do brasil e ainda não consegui comprar a cota do clube. Mas eis uma coisa que construí, com parceiros constantes como Foca, Geuder, Flaviano, Didito, Biê, Daniel, Frederico, Guina, Hazen, Xibil e agora Nadiana, Renato, Ellen, Nadja: um grupo, um pedaço da história de cada um nós (e com o perdão do egoísmo, da minha especialmente, porque misturei o residência e a minha residência, minha história e o meu devir, meu desejo e minha obrigação). Sao dez anos de muita coisa. A maioria delas simples demais.
segunda-feira, 30 de maio de 2011
O TRIUNFO EUCARÍSTICO
Ouro Preto é uma cidade muito louca, disso todo mundo sabe. Permitam-me um certo bairrismo. Por ser uma cidade que vive do passado, parece que sempre somos piores do que a galera de 200, 300 anos atrás. Uma sombra difusa. Taí a grande importância de um evento como o Triunfo. É muita gente que produz cultura todo dia. Contemporaneamente. Muita coisa diferente, um caos! Todo mundo junto, rompendo os hímens de nossa incompetência pro real diálogo com o que é diferente. E uma festa, cheia de coisas que dão errado, de gente que esquece a hora de fazer alguma coisa, e de beleza, inclusive por isso. O Brasil é um país que tende à antropofagia mesmo. Era assim quando o Padre Anchieta colocou um cocar na auréola de Nossa Senhora. Será assim quando nossos homens do futuro dançarem maculelê. Somos esse povo fragmentado que o cortejo mostrou. Nesse momento, quando vejo todo aquele pessoal junto, pessoas que ou não se conhecem ou não se suportam ou ambos, todos no mesmo evento, uma profusão de alegria, de orgulho, aí eu também tenho orgulho dessa terra (eu disse que seria ufanista, não disse?). Acaba e somos os mesmos, com nossas mesquinharias, pequenos traumas, egoismozinhos babacas. Mas, como já dissemos noutro lugar, pra se romper qualquer coisa precisa-se da fresta. Quando cheguei à Igreja do Rosário e vi o congado de Miguel Burnier descendo a ladeira, eu chorei. Porque as frestas tem seu risco. Agradeço e termino, que quando se abre um buraquinho de rato numa parede de pedra, descobrimos duas coisas: um novo mundo e uma nova parede. Cavuquemos!!!
sexta-feira, 1 de abril de 2011
JAIR BOLSONARO OU PORQUE É MAIS FÁCIL LIDAR COM O NAZISMO QUE COM A HIPOCRISIA
O Jair Bolsotário prestou um grande serviço pra discussão sobre o racismo e a homofobia nesse país. Ele é um imbecil. Mas confesso que prefiro ele à maioria hipócrita de nossos fazedores de lei; ele permite que a discussão fique mais clara, portanto, objetiva. Ele apressa as mudanças. Ele não quer ver o filho casado com uma negra? Boa parte de nossA classe média também não quer. Ele acha que homossexualismo é promiscuidade? Que se 'cura' trancando o filho num quarto e descendo-lhe de porrada? Um monte de gente pensa assim. Digo, quanto mais Bolsonaros, melhor. Repito: ele foi eleito, milhares de pessoas fazem-se representar nele. A maioria, covarde. Sou contra sua cassação. Quanto mais ele falar, melhor. Seu discurso servirá de parâmetro pra quem concorda e pra quem discorda. Precisamos da arte, como potencial transformador da cultura (ou alguém acha que só porque é cultura é bom?). Precisamos da educação ampliada, humanista, holística, pra desaprender o ódio em nossos filhos. Isso tudo, acho, depende do conflito. Claro, objetivo, escancarado. É preciso que nosso nazismo brasileiro se mostre, claro, objetivo, escancarado, examente pra que se possa combatê-lo. Senão vira uma guerra onde todo mundo é bom. Ou todo mundo é mau. Obrigado, Bolsotário! Parabéns ao CQC!
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
TRANSFORMANDO COMENTÁRIOS EM POSTAGEM
REFLEXÃO SOBRE OS MEIOS DE PRODUÇÃO DE TEATRO -
em um post. Quem quiser conferir o post de origem, só cliclar aqui no título, que é automaticamente remetido pra lá!4 comentários:
- Walmir disse...
- Virei-me já numa boa quantidade de personagens. (garçon, malandro roceiro e urbano, professor aloprado, sábio alemão, revolucionário, hipocondríaco, anjo, drogado, dom quixote, par romântico, centurião, estrangeiro explorador, empresário, arauto, empregado, diabo, sequestrador, jagunço, velho quando eu era novo, orixá, coronel, e mais) Virei-me tb em coisas como um pepino, uma cor, um sentimento. Fui também narrador de mim mesmo e de quem eu nunca soube direito. Fiz vozes e sombras. Ruídos também. Inventei firulas pra outros, modos de ser, luzes, deslocamentos, roupagens, fumaças cenográficas, artefatos de vária serventia, imitações. Vi e escrevi. Conversei ensinamentos. Tentei ser importante. Tentei ser simples. Me meti em políticas, cacei brigas, conciliei. Plantei projetos. Ganhei uns cobres, criei filhos. Continuo fazendo essas coisas todas e quando penso nelas é como vc diz, ufa! Mas olho em frente e ainda me divirto. Não invejo burocracias. Diz o MCA que fazemos teatro pra conquistar as garotas. Pode ser. É possível mesmo fazer teatro se conquistamos as garotas. Paz e bom humor, mano rato.
- 17 de agosto de 2009 14:42
- aparatOZerosete disse...
- É que eu vejo planilhas, justificativas, concorrências públicas. Meu personagem é um só e ele usa óculos! O produtor de cinema americano metido num pornô amador (sem camisinha). Mas MCA que está certo: uns beijos na 'boca dela' pra fazer a vida bela! Grande abraço, Mestre Splinter. Você conhece o mestre Splinter, Walmir?
- 20 de agosto de 2009 17:54
- Adélia Carvalho disse...
- Gosto desses reencontros com anotações antigas, sonhos de montagens, eu sempre me deparo com elas, mas muitas vezes quando elas se concretizam, já vão longe de tudo que foi a primeira idéia. Eu ando pensando demais nisso que você fala aqui, de como saímos de um processo de criação, vez ou outra saiu assim também, me sentindo menos criativa, mas quando olho, já estou alimentando outros quereres, outras criações começam a brotar em mim e quando vejo, já estou completamente envolvida pela necessidade de criar. Acho que a verdade é que o fim em si (se é que podemos chamar assim) de um processo, nada tem haver com nossa necessidade de criar, porque essa não tem fim, ela muda de objetos, muda de lugares, mas não se muda da gente, isso não tem fim. Por isso é impossível para nós não fazer teatro. Beijos.
- 22 de agosto de 2009 11:51
- Renato Ribeiro disse...
- É... pergunta difícil. Ainda estou no que se pode chamar de "País das maravilhas". Tudo numa lógica paticular. E se as rosas são bancas? Pinto-as de vermelho. Cuspi para o alto, e se ele voltar... um lenço! Abraços!!!
- 7 de setembro de 2009 17:53
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
GALANGA! FOREVER

terça-feira, 4 de janeiro de 2011
INVERNO CULTURAL DE SÃO JOÃO DEL REY
http://www.invernocultural.ufsj.edu.br/
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
CENA MINAS
Cena Minas 2010 entra em cartaz
O valor previsto do prêmio é de R$ 1.110.000,00 (um milhão cento e dez mil reais), dividido para as três categorias - Manutenção de espaços de grupos de teatro e dança, Formação de público e Equipamentos e materiais para circos -, contemplando, ao todo, o mínimo de 28 e o máximo de 37 projetos. Os recursos são obtidos por meio da Lei Rouanet - Lei Federal de Incentivo à Cultura e são destinados à manutenção de espaços culturais, a valores correspondentes à venda de ingressos de espetáculos para alunos e professores de escolas públicas, a aquisição e apoio na renovação e manutenção de equipamentos e lonas de circos.
De acordo com a assessora de Artes Cênicas da Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais, Cristina Oliveira, o prêmio se caracteriza por ser uma importante ferramenta de incentivo à produção artística, além levar arte aos moradores de todo o Estado. “O Cena Minas tem como tônica possibilitar melhores condições de trabalho aos artistas cênicos, incentivar pesquisas de linguagens, favorecer a troca de informações, além de beneficiar a população das diversas regiões do Estado, contribuir para a formação do público, especialmente de crianças e jovens, e facilitar o acesso ao conhecimento e às produções artísticas de qualidade”, destaca Cristina.
Informações podem ser obtidas também pelo telefone: (31) 3915-2680.
Clique aqui e veja o edital e a documentação necessária
domingo, 19 de dezembro de 2010
A RODA VIVE
Zé celso e Oficina Uzyna Uzona
Sempre que precisar, contem com a gente , estamos com vocês!!
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
O BANQUETE DOS RAZOÁVEIS - PARTE 2
Esta foi a charge vencedora do Concurso de Frases e Charges do Comhur, da UFOP. Esta charge é de Luciana Ferreira. Ela venceu minhas charges abaixo, por que, segundo um dos representates da comissão de avaliação, minhas charges não se enquadraram no tema proposto, relações de trabalho. Alías, minhas charges não foram nem classificadas para concorrer com as dela. Alías, ainda, as três únicas charges classificadas foram as dela. Nada contra Luciana (talvez um pouco de inveja de seu lap top novo, mas nada contra as charges dela. Talvez só um pouco.) As minhas charges, coitadas, foram classificadas ainda como de difícil compreensão. Fui informado que, no caso da visita do filho ao ambiente de trabalho do pai, somente no último momento um dos representantes sabiamente disse: "Ah! Ele está desenhando as pessoas do escritório!" Meu filho, este mês, fez cinco anos. Sua festa foi linda, cheia de grandes amigos. Ele compreendeu minhas charges muito bem.
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
sábado, 30 de outubro de 2010
PRÊMIO PROCULTURA DE ESTÍMULO AO CIRCO, DANÇA E TEATRO 2010
sábado, 18 de setembro de 2010
AS BICHAS DE OURO PRETO
Eu era menino quando ouvia histórias do Beco do Satã. Não sei se o do que me recordo é o que ouvia ou o que eu imaginava a partir do que ouvia, ou do que via, mas o fato é que havia um hiato no passadismo de ouro preto, esse que cultua a morte e a pedra, o mofo e a vela. Depois a janela erótica, um rasgo, uma fresta feita de punheta e lirismo, em que silhuetas de homens de cueca e mulheres de calcinha estamparam os casarões históricos. Depois veio o Ratatá, mais uma vez um inferninho homo(esimpatizantes)erótico, uma opção mais junkie (e também, à luz do lirismo dos loucos e bêbedos, mais belo). De novo a apologia às drogas e ao sexo era uma espécie de grito de estátua de pedra, lança de são jorge de aleijadinho manchando de sangue espesso nossa caretice católica, nosso apego à memória de um tempo que foi muito mais trash do que os babados e afins das mulheres de mau hálito do período colonial fazem deduzir. Exagero? Sim. Disse que neste texto se misturariam memória e desejo, imaginação e poesia? E, algum tempo depois, percebi que nestes fatos aqui descritos (e até nos imaginados, e mesmo nos inventados!) havia uma mesma patota, uns 4 ou 7 malucos de carteirinha a que me habituei chamar de 'As Bichas de Ouro Preto', afeitos ao rock e ao choque (não o elétrico, mas erótico), à festa e à fresta (destaca-se aqui que nem todos eram homossexuais, nem todos eram homens, mas que a ação conjunta colocava-os todos num mesmo saco, o radical de sacanagem, o saco do caso de adão. Eram todos viados!). À minha decendência ouro-pretana eles ensinaram que nem tudo era forjado ao fogo da moral, que éramos feitos também de hiatos, que gozar era tão importante quanto orar. Depois li Ginsberg e entendi-lhes a descendência.
Este parágrafo simboliza um salto no tempo, um hiato dentro do texto (estaria claro por si só?). Olho para nosso eventos anuais, para nosso eventos internos, para as vernissages concorridas por bêbados e trêbados, para os eventos do micro-cosmo do micro-cosmo teatral, para os coquetéis da prefeitura, para a rua direita, (ouro preto é uma cidade sem zona, portanto, serei privado desta citação), para o barroco em que é proibido fumar, para os textos do banheiro do satélite e penso: cadê as bichas de ouro preto? E penso: que pasmaceira! Cadê as bichas de ouro preto? Vou pro jazz e danço, nos festivais leio, penso, canto, mas depois penso: o quê eu faço com o meu tesão? Queremos saber se Tiradentes era bem dotado. Queremos imaginar Marília fazendo sexo anal com Tomás naquela banheira da secretaria de cultura. Cadê as bichas de ouro preto? São donos de jornal, papelaria, professores, pensadores, produtores... Cadê Judith Malina? Cadê Judtihs Malinas? Minha mãe se lembra dela tomando banho pelada no tanque do quintal. Nós quase já não temos cinema, não temos boite, não temos puteiro (desculpe me repetir, mas é um fato). Temos um monte de homossexuais, mas é como se não tivéssemos bichas... cadê?
terça-feira, 7 de setembro de 2010
GAZA
Os principais artistas do teatro israelense provocaram uma polêmica em Israel ao assinar um abaixo-assinado defendendo o boicote a um novo teatro construído no assentamento judaico de Ariel, na Cisjordânia, alegando não reconhecerem a legitimidade da colonização dos territórios ocupados.
A direção de cinco principais grupos teatrais israelenses havia feito um acordo para participar de um programa de apresentações para marcar a inauguração da nova sala de espetáculos, gerando o protesto de seus integrantes.
O novo teatro, que será inaugurado em novembro, é a primeira grande sala de espetáculos construída em assentamentos nos territórios ocupados e pode comportar as grandes produções dos principais teatros israelenses.
Os grupos teatrais assinaram a venda dos espetáculos sem consultar os artistas, e grande parte deles se nega, por razões politicas, a cruzar a linha verde (antiga fronteira entre Israel e a Cisjordânia, antes da ocupação israelense, durante a guerra de 1967).
No domingo, o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, se envolveu na polêmica e ameaçou cortar o financiamento estatal às companhias envolvidas no boicote.
"Nesse momento em que Israel sofre um campanha internacional de deslegitimação, a última coisa que precisamos é de um boicote que vem de dentro", afirmou Netanyahu.
"Não quero minimizar o direito de cada indivíduo, de cada artista, de ter posições políticas. Eles podem expressar seu ponto de vista, mas nós no governo não podemos financiar boicotes de cidadãos israelenses nem apoiá-los de nenhuma maneira", disse.
CONSCIÊNCIA Itai Tiran, um dos atores de teatro mais importantes do país, disse ao site de noticias Ynet que se apresentar no assentamento de Ariel 'contradiz a minha consciência e tudo em que acredito'.
"Não vou me apresentar naquela sala de espetáculos e em nenhuma outra que se encontre nos territórios ocupados", afirmou.
Para a dramaturga Savion Librecht, Ariel "não é legítimo". "Aqueles que decidiram ir morar lá (nos assentamentos), se quiserem assistir a espetáculos culturais israelenses, podem se deslocar para alguma cidade dentro de Israel", afirmou a dramaturga.
"Se um número suficiente de artistas assinarem (o abaixo-assinado), as peças não poderão ser apresentadas lá", concluiu.
O músico Dori Parnes disse ao Ynet que "por mim eles terão que apresentar o Conde de Monte Cristo [uma das peças previstas na programação] sem som". "A minha música não será apresentada no assentamento, pois não vou colaborar com o projeto de colonização", disse.
CANALHAS E HIPÓCRITAS O Conselho de Judeia e Samaria, liderança dos colonos israelenses, declarou que os artistas que assinaram o abaixo-assinado são "canalhas e hipócritas".
Para os colonos, o abaixo-assinado foi escrito por "um punhado de ativistas de esquerda anti-sionistas que atacam maldosamente os melhores filhos do Estado, que os protegem enquanto eles atuam nos palcos".
O deputado Zvulun Orlev, presidente da Comissão de Cultura do Parlamento, anunciou que vai convocar uma reunião especial da comissão para discutir o boicote dos artistas.
"Trata-se de um ato anticultural, que boicota centenas de milhares de cidadãos de Israel, que moram em povoados legítimos em Judeia e Samaria [nome bíblico para a Cisjordânia]", afirmou Orlev, que pertence ao partido de direita Habait Hayehudi.
A ministra da Cultura, Limor Livnat, do partido Likud, condenou a declaração dos artistas.
"Este ato grave cria uma cisão na sociedade israelense, discrimina públicos de acordo com as opiniões políticas dos artistas. Deve-se deixar a discussão política fora da vida cultural e artística", disse a ministra para o site de noticias Walla.
De www.mercadocenico.blogspot.com
terça-feira, 3 de agosto de 2010
FAPEX - PRÊMIO DE DRAMATURGUA
sexta-feira, 30 de julho de 2010
O FESTIVAL DE INVERNO É DO POVO!
Photo: Naty TorresAcabou o Festival de Inverno. Mais uma vez tenho a impressão de que o evento ainda não se reencontrou, que após o final da década de 90, quando a UFMG deixou de realizar o evento, o festival ainda fica tentando fórmulas já desgastadas pelo tempo. A primeira reflexão é que há muitos anos o festival deixou de ser um evento focado. Há 15 anos sua principal finalidade era a formação e artistas vinham pra Ouro Preto pra se reciclar, fazer oficinas de ponta, trocar informações e propostas com artistas do mundo inteiro. Hoje a profusão de eventos em julho fez com que a maioria dos profissionais esteja trabalhando e que a maioria do público seja de pessoas que estão de férias e desejam praticar o turismo. Se, em parte, a coordenação do festival percebeu isto porque investe enorme vulto de seu orçamento em grandes shows, por outro lado parece querer reeditar festivais de outrora, investindo num grande número de eventos que ecoam na parede. (Eu mesmo, saibam, realizei um evento de parede no festival passado. Que estava descrito na programação. Mas que, além de ter sofrido um atraso de mais de 3 horas pra montagem do equipamento, foi visto pela meia dúzia de gatos pingados do ditado. Era, literalmente, um evento de parede - projeções em uma fachada do centro histórico de Ouro Preto, o PixelAção - mas não precisava ser litral ao extremo!) O festival é mais um componente do mercado de trabalho para grupos profissionais do Brasil do que um fórum de discussões, como seu sobrenome sugere. O festival é entretenimento para pessoas de férias. Sem diminuir a noção de entretenimento. É entretenimento de alto nível. O festival é um evento para alimentar o mercado turístico da cidade: quanto mais espectadores melhor. Quanto mais bons espectadores, melhor (bons espectadores leia-se bom turista, aquele que fica na cidade, consome nos melhores restaurantes, dorme nos melhores hotéis).
O festival oferece oficinas de qualificação interessantes, mas não seleciona os alunos, o que gera turmas desiguais e portanto afasta pessoas que pretenderiam se reciclar. A vaga na oficina é de quem pagar primeiro.
Este ano, pelo menos, não vi nenhum panfleto daqueles que publicaram alguns anos atrás, um informativo dos 'principais eventos' do festival, deixando todos os outros numa espécie de limbo de sub importância.
Numa das noites do festival fui ao show do Gabriel, o Pensador. Exatamente porque estava lotado, exatamente porque foi um evento em que a população de Ouro Preto compareceu em massa, que percebi que ali estava um chave para este festival dos novos tempos. O Gabriel é um cara que faz a ponte do popular e do engajado (ele canta desde temas sociais até a hora de molhar o biscoito!). Acho que este festival é, e deveria ser, sem vergonha, um evento popular. Há alguns anos, talvez o último festival da UFMG em Ouro Preto, fizeram concomitantemente o festival de inverno e o festival da prefeitura. O primeiro foi concentrado na praça da UFOP e no centro de Artes e Convenções e em eventos ditos mais cultos - ou mais focados, para um usar um termo caro a nosso texto. O segundo concentrou-se no teatro municipal de ouro preto e na praça tirandentes e trouxe shows populares e baratos e comédias de fácil digestão de Belo Horizonte. O primeiro teve um público apenas razoável, mas atraiu um certo número de intelectuais e formadores de opinião. O segundo foi um sucesso de público, embora tenha sido acusado de um certo mau gosto. Acabados, nenhum ecoou. A diferença entre eles, no entanto, marca uma necessidade que, acho, deve ser amplamente refletida pelos coordenadores do festival: ambos definiram muito claramente seu público. Isto era refletido na divulgação e nas atrações escolhidas.
O festival de hoje opta pela escolha de um tema, um personagem. Parece-me, no entanto, que este tema surtiu algum efeito no sentido de funcionar com um critério para a montagem da grade de programação apenas na edição de Chico Rei, onde podia sentir-se reverberar a cultura negra e questões relativas a ela durante todo o evento. Este ano a proposta do Mestre Ataíde foi insossa. Assim como o Clube da Esquina do ano passado. Esta cultura passadista de Ouro Preto (que causa uma inflamação típica nas glândulas linfáticas chamada ouropretite!) faz com que a gente fique se prendendo a coisas que foram inventadas há menos de cinco anos e que já se configuram como tradição! Vamos mudar, gente! Vamos dar fluidez à tradição. Ela também se adapta! Ela também respira. A tradição não é uma pedra de mármore.
Em suma, terminamos como começamos: o festival é do povo. Menos eventos pra cumprir tabela, mais diálogo, mais inclusão, menos empáfia! Ao povo o que é de César!
quarta-feira, 14 de julho de 2010
Rato do Subsolo: escárnio e complacência na contradição humana
Photo: Naty TorresRato do subsolo ou o ódio impotente, peça produzida em 2009 pelo Grupo Residência – Teatro e Audiovisual de Ouro Preto, foi apresentada na noite do dia 11 de julho no Teatro Sesi de Mariana. A produção embebeda-se na obra de Dostoievski, Memórias do Subsolo, e é carregada pela luxúria, pelo ódio e pelo peso das identidades que se configuram como a impotência na busca de algo que ultrapasse as frustrações e o ridículo do humano.
Os quatro “ratos” – trata-se de homens – reunem-se na república para o dia em que buscariam a dignidade. Esta busca, após diálogos cortantes de escárnio e complacência, surpreende a platéia quando é anunciada como o dia em que os ratos cometeriam suicídio.
A peça parece debochar do ser humano, mera existência acuada nos subsolos da mente e da sociedade. Tudo é desconstruído e reduzido ao medo e à impotência do homem diante à existência que não se escolhe ou comanda, mas é ilusão e morte.
Com a angustiante falência de todas as crenças, os ratos que habitam o subsolo mostram o retrato impiedoso da essência humana, em sua patética busca pelo prazer, pelo amor e pela felicidade.
Palco de rancores e deboche ante a sociedade que estereotipa, intimida e paradoxalmente seduz, a peça nos escancara o espelho do que somos dentro de nossas fobias e de nossa solidão.
Gracy Laport
segunda-feira, 12 de julho de 2010
sexta-feira, 28 de maio de 2010
SEMANA DE ARTES DA UFOP
Acabamos de apresentar a última versão de Rato do Subsolo ou o Ódio Impotente na Semana de Artes da UFOP e teceremos algumas considerações sobre a oportunidade.
1º) A Semana de Artes é um evento consolidado, já é possível distinguir fatos pertinentes a esta consolidação: a existência de um público específico, a coerência de programação independente da equipe de produção, o engajamento da equipe no que parece ser o principal evento na formação do profissional de produção artística da universidade. Em comparação com o Festival de Inverno, em detrimento do caráter profissional do evento julhino, talvez o principal evento cultural da cidade, a Semana consegue dar mais foco aos eventos realizados, há mais eco.
2º) O respaldo institucional da UFOP ao evento é sofrível e não só pelo pouco aporte financeiro (uma espécie de passar o chapéu!). Mas porque a Semana é um evento que pode funcionar para diminuir este abismo que se construiu entre o curso de artes cênicas e alguns outros estudantes que, diletantemente, atacam a atividade teatral como menor, pouco profissional, ilusória, e outras opiniões contidas na comunidade da UFOP no Orkut. Este ano pudemos ver grupos oriundos da universidade de ouro preto, grupos de artistas vinculados a UFOP, grupos de outras universidades e instituições, todos compartilhando um mesmo espaço, mostrando que a profissão de artista cênico é um fato, que há um mercado, ainda instável, difícil, mas presente.
Além disso a Semana é uma forma de entretenimento gratuito, que pode além de receber estudantes de outros cursos e moradores da cidade como espetadores, pode recebê-los como artistas, integrando a grade de programação.
3º) É impressão ou a maior parte dos alunos de artes cênicas também não comparece aos eventos? Parece que são sempre as mesmas pessoas. Acabei também vendo poucos professores. Em nossa época de alunos achávamos que eventos como esse eram quase como experimentos prontos para serem destilados em sala de aula, fatos que podiam ser compartilhados entre professores e alunos para análises conjuntas, exemplos, citações, etc. Mas raramente era o caso. A Semana não se configarava como um evento científico.
4º) Parabéns aos organizadores, aos que se apresentaram, aos oficineros (fizemos uma puta oficina com o Cláúdio Costa Val e a Renata). Evoé!
quarta-feira, 26 de maio de 2010
EcOs...
Photo: Ronald Peret (www.euouropreto.blogspot.com)Eu sou um bosta.
Somos todos restos de nós mesmos. Amém.
Somos todos vermes e queremos, ao mesmo tempo, ser Deus, inferir escolhas no quotidiano externo e saber a verdade. Por quê? Realmente. Ela nos interessa. Por mais suja que seja, ela nos interessa. Somos todos uma tentativa de limpeza do rato interior, sempre em busca do “ego”, ego,
Eu...
Quem é você?
Sou um bosta.
Somos todos nós mesmos. Restos.
Somos todos Deus e queremos, ao mesmo tempo, ser vermes, inferir escolhas na verdade e saber o quotidiano externo. Por quê? Realmente. Ele nos interessa. Por mais sujo que seja, ele nos interessa. Somos todos uma tentativa de limpeza do rato interior, sempre em busca do “eros”, eros,
Sou...
Quem é você?
Um bosta.
Somos de todos. Amém.
Somos todos e queremos, ao mesmo tempo, ser escolhas, inferir Deus no quotidiano externo e saber vermes. Por quê? Realmente. Eles nos interessam. Por mais sujos que sejam, eles nos interessam. Somos todos uma tentativa de limpeza do rato interior, sempre em busca do “eco”, eco,
Um...
Quem é você?
Bosta.
Pedro de Grammont
quarta-feira, 12 de maio de 2010
MAIS UM RATO
Eis que retomaremos nova fábrica de ratos, agora apostando menos no exercício do ator como ato de invenção e mais no teatro como forma (e, portanto, no exercício do ator como ato de repetição, que a cada dia precisa preencher com a invenção a repetição). Dia 23 de maio, na abertura da Semana de Artes da UFOP, domingo, no circo da Estação. Estejam todos convidados (ratos, gatos e hipertensos)!
sábado, 28 de novembro de 2009
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
DIA 04 DE DEZEMBRO
Já dizem alguns importantes artistas cênicos brasileiros que Ouro Preto, em função da criação dos cursos superiores de teatro de sua universidade federal, é um pólo mineiro de produção e pesquisa de artes cênicas. Será? Seremos capazes de nos organizarmos para gerar aqui um mercado - entendido no que ele permite de viabilidade e continuidade? Quem hoje tem trabalho contínuo? Quem tem trabalho viável? Quem vive do seu trabalho com teatro? O Fórum das Artes Cênicas Ouro-pretanas quer identificar isto e criar ações coletivas que tornem esta uma realidade possível. Botar o reto na reta. Artista-ativista.terça-feira, 3 de novembro de 2009
FESTIVAL DE TEATRO DE OURO PRETO
Photo: Artur de LeosOntem fui assistir a aula espetáculo do Wisnik no Fórum das Letras. Em detrimento de minhas limitações como espectador da canção, fiquei pensando porque o Fórum das Letras parece mais efetivo que o fórum das artes, mais eficiente - porque esta é minha impressão. Teço duas possibilidades: Das Letras é menor, mais concentrado e há uma área central. Das Artes é um festival de inverno, disperso, mas concentrado nos grandes shows, em seus personagens principais e os diversos coadjuvantes (quem nunca ouviu a frase: "participar do festival de inverno vai ser bom pra você"?) Há anos atrás, em épocas uefe-emegenianas Das Artes atraía um grande números de profissionais que vinham se reciclar, o evento era baseado em oficinas. Hoje - atenção críticos de críticas de plantão, isto não é uma crítica, é uma constatação - ele é baseado no evento turístico do quanto mais melhor. Seus objetivos estão mais ligados à lotação dos hotéis, a um maior movimento nos restaurantes, a manutenção de uma cadeia de empregos que se estabeleceu há alguns anos que paga bons salários para algumas mesmas pessoas (eis uma crítica de fato). Das Letras parece mais efetivo em funcionar como algo que vai repercutir, desdobrar-se, alterar coisas aos poucos, mas muito. Quando ele se aceita elitista, reconhece que atinge a uma elite formadora de opinião, de professores, de artistas, que vão repassar suas conclusões (e dúvidas e afins). A idéia da elite de Grotowski, que a reconhece, mas sabe que, embora o poder econômico seja facilitador ele não é determinante pra sua formação. Basta ver o nível intelectual de nossa elite econômica. Até porque Das Letras é gratuito.
Escrevo isto para convocar dona cegonha e fazermos mais um parto, mais um bebê para esta família: o De Teatro, que está pedindo para nascer. Acho que nunca reunimos condições melhores, a hora é esta, vamos fazer um festival de teatro em Ouro Preto! Temos o teatrinho, nossa pérola, o centro de convenções e seis teatros de arena! Dores, Cabeças, Bauxita, UFOP e dois no Horto (estou esquecendo algum?). E um curso de teatro e grupos estáveis. Podemos nos decidir por um festival em língua portuguesa, ou internacional, ou nacional. Vamos aumentar essa família, precisamos de esperma e útero: quem se habilita?
terça-feira, 6 de outubro de 2009
PAULO CÉSAR BICALHO

Photo: Artur de Leos
Outro e-mail transformado em postagem!
"Querido: não sou crítico. Não gosto dos críticos que conheço, com raríssimas exceções. Alguns americanos e ingleses. No Brasil é um desastre. É crítica impressionista. O sujeito arrota suas impressões (eu quase sempre tive arrotos floridos, mas sempre arrotos) e não deixa nada de concreto ligado à inquietação, procura e pesquisa de que resulta qualquer obra de arte. Por isso tenho lá meus medos de te dizer minhas impressões. Pode parecer critica. Eles fazem isso exatamente. Considerando isto, senti falta de um trabalho mais sutil com o ator tanto na interpretação quanto na trama. Estou chutando: tenho a impressão de que você trabalhou o espetáculo como se fosse instalação. Mas a arte conceitual dificilmente vinga junto ao espectador quando ele é imobilizado. O Antônio Araújo teve de movimentar o espectador por corredores, pátios, sala de cirurgia, para encontrar o modo de digestão dos espetáculos do Teatro da Vertigem. Parece, continuo chutando, que a arte conceitual tem a ver com o acontecimento de rua. Os atores são talhados de forma mais tosca e o tema é repetido de forma a captar a compreensão e interesse de quem passa. Afora isso, o visual me pareceu do caralho, e foi bom ver o Geuder pela primeira vez como ator. É, também, sempre um prazer ver essa equipe em ação. Gosto muito das propostas de vocês. Abração. (Não leve isso a sério, são impressões de diretor aposentado.)"
Paulo César Bicalho
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
terça-feira, 29 de setembro de 2009
MONÓLOGO PARA UM RATO
Artur de Leossegunda-feira, 21 de setembro de 2009
SOBRE OBRAS E PROCESSOS

"Rato do Subsolo ou o ódio impotente" é, surpreendentemente, oito anos após nossa fundação, nossa primeira oportunidade de nos mantermos em temporada, observando as maturações da obra, os apodrecimentos decorrentes desta mesma maturação - algumas cenas muito bem nascidas de repente perdem o sentido - a idéia que uma obra teatral é algo sempre em função de seu público e que como cada dia o público é diferente (um dia vem alguém que ri muito, noutro dia as pessoas estão mais cansadas, ou alunos de filosofia, ou estudantes de teatro) cada dia a peça é diferente, essas coisas. E então, invariavelmente, sob o salto da impotência da direção, de quem olha o evento e só pode olhar, ficamos nos perguntando qual o sentido daquilo ali, daqueles caras vestidos de roupas que não suas, falando palavras escritas, daquelas pessoas que saem de casa e vêm ao teatro ver aqueles primeiros caras. O que oferecemos pras pessoas, afinal? Algumas hipóteses: trabalhar com teatro nos dá um certo privilégio no contexto social, porque podemos entender mais o homem e oferecer substratos deste entedimento, fazendo, invariavelmente, com que o espectador se reconheça, ou se aprofunde em si mesmo? Oferecemos uma espécie de entretenimento conceitual (sic?), um convite ao esforço da fruição da obra de arte, como acontece com os leitores de Kafka, os espectadores de Tarkovski, de Beckett? Se é isto porque gostamos quando o público ri? Fazemos a obra para nós mesmo, para nos aprofundarmos em questões muito pessoais tipo, eu gostei desse livro e acho que vocês podem gostar também? Fazemos arte para que as pessoas gostem? Não gostem? Para transformar as pessoas? Para transformar a nós próprios? Para comer as meninas? Os meninos? Qual nosso sentido? Qual o sentido dos quadrados retângulos e linhas de Mondriam? E da lágrima no olho do peixe de Bashô?
Procurar essas respostas talvez seja dissover todo o sentido de ser artista, encontrando a prepotência da arte burguesa, que lê o artista como um ser superior, iluminado. É por isso que só faço perguntas. Ando convidendo com elas toda noite. Talvez porque tenha lido que a receita federal abriu 420 vagas para auditor, com salário inicial de 13 mil reais. Pode ser que esteja pensando: arte é inútil, mas auditar a receita federal é útil! Ou então, ganhar 13 mil é útil. Em todo caso continuo desenhando outras cenas, outros textos, outras formas que saem de mim mas não são eu, portanto, deixo de ser detentor de todos os seus sentidos. Assim, fico emaranhando nesta teia sem sentido claro, ou complexa demais para os meus cinco sentidos básicos. Mas não deixo de perguntar, cunhar verbetes para o dicionário, juntando sons e formas, brincar. Sei onde deixo de ser claro. E sei que é lá onde fico mais óbvio!
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
POUR ELISE: A ARTE DE ENXERGAR ABACATES

Fui assistir ao primeiro espetáculo do Grupo Espanca!, de Belo Horizonte, uma das principais montagens mineiras dos últimos tempos, catapulta de Grace Passô a referência da dramaturgia contemporânea brasileira. Em detrimento do meu atraso na história - apesar da história andar a passos largos - teço e compartilho impressões sobre a obra.
1. A poesia como força motriz: Há na construção um embate entre uma força trivial - pessoas comuns, sem nenhum heroísmo aparente, sem nenhuma grande dor exposta, pessoas que tendem a nossas tias, ao professor de física do segundo grau, aos 'invisíveis' - e uma força visceral - a poesia contundente das metáforas e das palavras expostas, da rearticulação das relações corporais, do deslocamento dos sentidos (o cachorro, o abacate, o silêncio). Neste embate a poesia atua como força reveladora, ou como perversão. Assim como o riso na boa comédia, ou a força no teatro físico, ou o risco no circo. É ela que tira o espectador do lugar, que alimenta a trama - tão simples, trivial, do tipo "pode acontecer comigo, apenas não me foi revelado, mas se eu salpicar poesia em minha vida..."
Um parelelo interessante é o terceiro espetáculo do grupo, o "Congresso Internacional do Medo". Lá o trivial dá lugar a uma situação muito específica, distante - mesmo que medo seja comum, participar de um congresso sobre o medo não é. Então a poesia já não revela, não há atrito, ela parece estar aquem de um cenário mais complexo. Em "pour elise" minha tia ganha outra cara, saio e é como se eu fosse uma outra pessoa, procurando abacates alheios.
Ao fim do espetáculo Daniel me disse: "hoje não quero sair." Eu "porquê?" Daniel "cuidado com o que planta no mundo..." A obra nos atravessou, atravessar pessoas está em sua gênese, ela QUER isto. Há um trato deslavado com a emoção, uma coragem. Isto reforça minha opinião que a arte pós-contemporânea é mais careta que a arte contemporânea e que toda desconstrução dos anos 60 e 70, todo o vazio e toda feiúra dos 80, toda cibernetização dos 90, tudo ainda é arte contemporânea. E que a re-significação dos sentidos e a re-valorização da palavra são traços de nosso tempo, contemporâneos, mas não mais arte contemporânea e sim uma reação a ela, a seu vazio conceitual - que quando erigido tinha todo sentido.
2. O uso do espaço cênico - Nunca tinha visto o espaço italiano ser tão bem explorado, a caixa cênica é, literalmente, o cenário do espetáculo, cenário cheio de possibilidades de uso e entendimento. No quadrinho aquele espaço branco entre um quadrinho e outro é chamado sarjeta e ela é fundamental para a história. No espaço branco muita coisa acontece. A coxia de "Pour elise" é uma sarjeta maravilhosa, espaço-temporal, dinâmica. As pausas são respiração. E texto, às vezes mais contundentes que as cenas. Há uma construção temporal delicadíssima. E consistente. A vizinha que conta a história é a dramaturga: ela vê e diz: 'não se envolva.' Ela mente - envolve-se dos pés a cabeça! Mas eu não minto. Não tenho tanto cuidado com o que planto no mundo, mas procuro abacates maduros pra fazer vitamina!
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
REFLEXÃO SOBRE OS MEIOS DE PRODUÇÃO DE TEATRO

The Mechanized Toiler, de Krinski
Nuns dias passados encontrei em anotações de gaveta, dessas perdidas na memória, as primeiras anotações da montagem do Rato do Subsolo, datadas de 2004. Eram encontros com Iracema Macedo, poetisa e filósofa potiguar, com quem primeiro teci as agruras desse rato-maior chamado Fiodor. De lá prá cá foram muitas as suposições de montagem, diversos atores passaram pelo desejo, entre eles Walmir e Tarcísio, e a hipótese -aquela primeira figura difusa que temos quando optamos, opção lacônica, vamos montar uma peça! - foi se transformando, se reconfigurando, se destruindo, se construindo outras, o caos de sempre.
Olhar pra trás é pensar 'Ufa'! Olhar pra frente é pensar: 'Porra!' E como envelhecer é preciso, viver não, essa luta que é montar uma peça que nasce nas entranhas, ou no cu, como diria Sapiência, passa cada vez mais ser tarefa her(cú)lea e a gente vai se deixando consumir por preguiça, pela necessidade da grana, pela sobrevivência. Tenho uma impressão terrível que saio do processo menos criativo, como se um balcão de repartição pública estivesse me convocando 'vem! Vem! Aqui é mais fácil!' Ou um quadro negro, ou nariz de palhaço (com perdão dos bons palhaços).
Mas paro e penso que uma flecha lançada no ar não tem como objetivo o alvo, mas o arqueiro, ele mesmo, reencontrado, transformado em outro. É uma espécie de suicídio, um devir terrível, um tiro no pé.
E aí, quem se habilita a arriscar: é possível fazer teatro?
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
PRÊMIO MYRIAM MUNIZ - FUNARTE
Myriam Muniz e Ary Fontoura
Prêmio de Teatro Myriam Muniz chega à quarta edição
Companhias, grupos, coletivos, empresas, associações, cooperativas e - pela primeira vez - artistas independentes (pessoas físicas) que quiserem participar do processo seletivo devem enviar, via correio, suas propostas de trabalho e documentação completa (ver detalhes do edital) para a Coordenação de Teatro da Funarte, no Centro do Rio de Janeiro. As inscrições, gratuitas, serão encerradas no dia 3 de setembro.
Os prêmios, que variam entre R$ 40 mil e R$ 150 mil, estão distribuídos por todas as regiões brasileiras. Dessa forma, a Fundação dá continuidade à proposta de descentralizar seus recursos. O investimento total da instituição no programa é de R$ 7 milhões.
Uma comissão externa composta por nove especialistas em teatro ficará responsável por selecionar os contemplados. Serão analisadas a excelência do projeto, a qualificação dos profissionais envolvidos e a viabilidade prática das ações propostas.
O nome do prêmio é uma homenagem à atriz Myriam Muniz (1931-2004), que fez parte da geração precursora do Teatro de Arena. Reconhecida por interpretações marcantes no teatro e no cinema, a artista dedicou os últimos anos de sua carreira à formação de novos talentos.
Mais informações: www.funarte.gov.br














